sábado, 14 de março de 2015

Mulher

Aaaaf, Ana! Esta sua reflexão deveria ser "obrigatória sem obrigatoriedade", posto que seria imposição, em todas as salas de aula do maternal ao pós doutorado; nos bares, estações de trens, metrôs, ônibus; nos placares eletrônicos dos estádios de futebol; em placas indicatórias seja lá do que for; lida nas missas e cultos quaisquer... Tudo isso vislumbrando a possibilidade de transformação na concepção de ver e ser mulher. Os parâmetros estão aí em seu post. Parabéns!
Acima posto um comentário meu sobre a mais recente postagem da esperancense - mais que esperançosa numa humanidade fraterna - Ana Débora Mascarenhas em seu "O mundo e suas voltas", blog-spot aqui já tão recomendado. E sigo meu deslumbramento com o texto que me prendeu a atenção e transbordou minh'alma:
"Dizem que esse é o mês das mulheres, que devemos lutar pelos nosso direitos. Essa história de luta é antiga, conquistamos muito, mas ainda faltam mais de oitenta anos para termos a igualdade de gêneros de verdade segundo especialistas. Uma das lutas mais importantes que devemos ter agora, é contra a ditadura dos padrões de beleza instituídos pela sociedade que tem causado muitas doenças, e morte, principalmente de meninas ainda adolescentes. Elas que não conseguem ser magas e lindas, passam por dietas rigorosas, desenvolvem anorexia, bulimia e outras tantas. Não percebem que ainda são escravizadas.
Eu, menina, tinha como heroína a Mulher Maravilha, e a linda atris que fazia o papel também chamava-se Linda. O que mais me chamava a atenção nela, era o avião invisível, a liberdade de uma amazona que ela tinha e, sobretudo, a força de uma mulher feminina que não precisava se masculinizar para ser ativista.
A maior transformação de uma mulher é quando ela se torna mãe, o corpo muda, a mente muda, nos tornamos mais corajosas, não uma Mulher Maravilha, mas uma mulher diferente. E que me perdoe as feministas radicais de plantão (se quiserem), mas não precisamos nos masculinizar para sermos feministas, gosto de mulheres com cara de mulher, cheirosa, depilada, bem cuidada, bonita do seu jeito. Precisamos primeiro nos libertar da alienação, das diferentes formas de escravidão que ainda existem, só então poderemos mudar o mundo.
E nas voltas que o mundo dá, a educação, inclusive para os nossos meninos é um dos passos mais significativos para a igualdade de gêneros. Portanto, meu feliz mulher para todas que acordam cedo, trabalham, cuidam, amam, amamentam, educam e mesmo assim são lindas".

sexta-feira, 13 de março de 2015

Naquela mesa 'tá faltando ela!

Hoje, coincidentemente, a irmã Mariângela, minha filha,
estará renovando seus votos: Tudo que Vó Rita sonhara
Vó Rita! Era como eu e meus filhos a tratavam. Os vínculos foram criados a partir de uma amizade que transcendia a própria amizade, ia mais além. Em sua casa éramos da casa, da família, tratados como se filhos fôssemos. Faz 29 anos que a conheço, mais que um quarto de século de convivência e, sobretudo, aprendizado. A sabedoria na simplicidade dessa mulher sempre me chamara a atenção. Nem precisou de “graduação” para saber o que sabia e viver como viveu, ensinando através de atos e gestos tão simples quanto magnânimos. Aquela mulher sábia não via o outro como o outro, contemplava-o como um seu semelhante.
Então nós fomos premiados em estarmos na constância dessa convivência, adotados que fomos e adotando-a como a adotamos. Hoje – devo me acostumar com o agora real – não ouvirei mais sua voz nos convidando a tomar sopa. Aquela sua sopa não era apenas uma sopa, tinha ingredientes que à culinária não foi dada a fórmula. Pitadas de carinho acompanhavam-na em doses certas a cada um que sentassem à mesa sempre farta e saborosa. A cozinha, não fugindo a uma regra nordestina, era o ponto de referência nos encontros. Lá estava ela servindo-nos um a um.
Em tempos de universidade, principalmente, desperto com o vibrato de um aparelho celular que substitui o antigo relógio despertador. Cinco horas é o estabelecido para aquele chamado ou lembrete. Levanto, faço minha toalete, tomo água, como algo, caminho, viajo rumo à Filosofia-UEPB. Uma e quê da madrugada percebo meu aparelho celular com a bateria descarregada. Não me abalo e o deixo sobre a mesa de leituras. Tomo banho, deito, durmo. Acordo com Parícia, minha esposa, me alertando para o toque despertador. Procuro o aparelho sob o travesseiro, como de costume e, mesmo ouvindo aquele toque, lembro da bateria descarregada e que o deixara sobre a mesa. Levantei-me e conferi: o aparelho estava lá, distante. Vejo o relógio na parede marcando três e quarenta e cinco. Volto à cama e informo: "Foi Vó Rita. Vamos aguardar a notícia".
Rita Rocha encontrara-se internada, a uma semana, num hospital de Campina Grande. Seis horas, pouco depois daquele toque de despertar, veio a notícia que ela partira.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Tareco e mariola

Petrúcio Amorim: "Eu não preciso de você..."
Este ano estaremos apresentando o 9º Arraial Itararé. Jogo de cintura é o primeiro ingrediente para que as coisas saiam nos “trinques” como, aliás, têm se dado até então. Uma equipe mais que integrada e uma direção pra lá de competente fazem daquele programa um dos maiores atrativos juninos da TV paraibana. E nós lá – Jerimum e Xiquexique – esbanjando uma belezura sem precedentes. Marcos Farias, Mayra Barros e Sandra Belê são as grandes almas que conosco dividiram o palco nas apresentações na sequências em que foram citados aqui.
Por aquele palco já passaram grandes astros e estrelas nacionais, cada um com seu talento a demonstrar a pujança da nossa arte, principalmente no que tange à musica genuinamente nordestina. Um dos episódios que marcaram este grande encontro ficou gravado pelo inusitado da entrevista. Num dos programas contamos com a presença honrosa de Petrúcio Amorim, autor de Tareco e mariola, dentre outros tantos sucessos. Havia combinado com meu competente e entusiasta diretor Saulo Queiroz que teria um momento de muita emoção no programa, mas sem entrar em detalhe. Senti-me à vontade pra fazer o que me desse na "telha", com a cumplicidade dele, claro.
Talvez por conhecer nossa forma de atuar, Saulo deixou-me à vontade. Anunciamos Petrúcio que entra, canta e encanta. Aí vem aquele pedido de um telespectador: “Canta Tareco e mariola”. Anunciei o pedido sem deixá-lo emendar na música. Pedi que contasse como nascera uma das mais belas letras do cancioneiro brasileiro. Petrúcio desata o nó da história e conta que fora apresentar um projeto para cantar no palco principal, em Caruaru, sua terra natal, nos festejos juninos. Recebeu como resposta a desculpa de que não teria, ainda, estatura artística para cantar naquele palco. O prefeito da época não imaginara que ali estava um dos grandes compositores/intérpretes da música nordestina.
“Fui pra casa cabisbaixo, não aceitando aquela negativa. A raiva me fez dar o troco em uma canção feita dali a pouco e logo consagrada na música popular brasileira", desabafou. Tareco e mariola foi a inspiração em forma de revide a quem não tem conhecimento nem sensibilidade para ir à fonte da poética musical. Optou por recitar antes mesmo de cantar. Aí Petrúcio não se conteve, embargou a voz, chorou e emocionou a todos: “Você foi longe / Me machucando provocou a minha ira / Só que eu nasci entre o velame e a macambira / Quem é você pra derramar meu mungunzá...”.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Carona no carvão

Não lembro o ano, o dia era trinta, dezembro era o mês. Eu largara da labuta no Jornal da Paraíba, cuja edição retardara, não lembro o motivo. Perdi o último ônibus com destino a Esperança. Desempenhava a função de diagramador, termo muito estranho para quem não está afeito principalmente às redações de jornais ou revistas. Para melhor entendimento recorri ao http://www.dicionarioinformal.com.br visando sua elucidação e já trazendo à luz que diagramador é o profissional da diagramação.
Assim sendo, temos: "Diagramação (ou paginação) é o ato de diagramar (paginar) e diz respeito a distribuir os elementos gráficos no espaço limitado da página impressa ou outros meios. É uma das práticas principais do design gráfico, pois a diagramação é essencialmente design tipográfico. Entre as diretrizes principais da diagramação podemos destacar a hierarquia tipográfica e a legibilidade". Isto posto vamos às vias do fato. Antonino, o motorista do JP, me trouxera até a Manzuá. Ali, informara-me ele, apareceria carona para a Região do Brejo. Desci em direção aos militares afim de puxar conversa e aguardar a tal carona que logo aparecera. Fui alertado por um policial: 
- Pode ir tranquilo. É gente conhecida, o senhor está seguro! 
- Obrigado, amigos, pelo obséquio!
Embarquei naquele caminhão carregado de carvão. Trajava roupa clara, e camisa com as mangas compridas que me acompanham faz tempo. Queria estar em casa, curtir o primogênito ainda com oito meses de nascido. O caminhão balançava mais que coqueiro em tempestade. O vento frio trazia consigo aquele pozinho de carvão. Naquele balanço não senti firmeza em um companheiro de carona. Estava bêbado, tombava mais que a própria carga. E, pra completar, queria morrer. Fora traído pela mulher, estava desiludido da vida. Assombrado com a ameaça fiz muita estripulia para não ver aquele desfeche trágico. A conversa mole fora repetida em todo o percurso, era uma tensão só. A carga balançando, eu me equilibrando e segurando o cara. Saindo da curva que desce para a ponte do Riacho Amarelo, resolvi abrir mão do cuidado e trabalho que tivera até então. Paciência esgotada, dei a sentença:
- Quer morrer mesmo, camarada? Eu não o seguro mais, pode pular! 
- Qué isso, macho! Eu tô bebo, eu sô corno... Mai doido, não: Ô tô luicido!

domingo, 8 de março de 2015

Ser e fazer feliz

Estava à mesa, hoje pela manhã, café matinal e me vem uma imagem lá de bem distante. A mesa posta, um cheiro enchendo a casa de tão gostoso, meu pai chegando do trabalho, suado e a deixa: “Vamos todos tomar café”. Ah, que trabalheira! Desde os primeiros minutos daquele dia ela não parara, cuidara de tudo: Café da manhã, fardas escolares com o conga, meias, calças/saias azul de nylon, camisas/blusas (Volta ao mundo) branca; lanches nas lancheiras recheadas de carinho. Seguia-se, então, a tarefa de deixar a casa em ordem com roupa a ser lavada e almoço a preparar. Na volta da escola lá estava a mesa pronta e, após o banho de cada um de nós, a mesma voz: “Vamos almoçar, meninos”. Ela era uma mulher de muitos afazeres, também lecionava culinária, confeitaria, tapeçaria, bordado, corte e costura além de bem desempenhar a arte de ser mãe.
Hoje me dou conta dessas multi mulheres em minha vida. Minhas tias, primas e irmãs também estiveram muito presentes em minha formação para a vida. No momento em que lembro minha mãe e suas prendas, me passa também um filme das tarefas de Parícia, minha esposa, na labuta caseira, numa repetição daquilo que fizera minha mãe, Maria do Carmo e minha sogra, dona Judi de Lourdes. Dar conta de uma casa e tudo que nela se acerca, não é tarefa fácil. Muito menos cuidar, educar e encaminhar os filhos para a vida. Ser mãe, esposa e administradora de algo tão sublime na vida de cada um de nós, não é tarefa para se cumprir sem carinho e a dedicação tão implícitas nesse cuidar. Família e casa, haja complexidade, tarefa hercúlea. Só com muita arte, mimo e jogo de cintura se pode dar conta de tanto.
É através delas que homenageio cada uma dessas mulheres espalhadas por este mundão afora. Nem todas com essa aptidão para ser mãe e cuidadora, mas com suas peculiaridades na arte de ser mulher-cidadã, cuja vocação é ser e fazer feliz.

sábado, 7 de março de 2015

Minha síndrome pueril

Armaria! Diria um desses neofeicistas (o adultério vocabular aqui é válido pela conotação, o quiproquó que sugeriria caso adjetivasse, ao pé da letra, os novos usuários do face), daí aportuguesar para suavizar o termo. Mas o certo, mesmo, é que me descobri portador da síndrome pueril. Posso parecer presunçoso ou algo equivalente, mas não é nada disso. Sinto-me criança e pronto! E, nesse âmbito, tudo concorre para que eu me saia bem dessa – por assim dizer – patologia da recrescência. O que me conforta diante desse diagnóstico é que não me levará a óbito, pelo menos daqui a uns cento e vinte anos.
Também conto com tremenda dose de sorte. Na vida haveremos de contar com a sorte para tudo, até mesmo nas patologias que porventura adquiramos. Por esses dias devo consultar uma pediatra, preferencialmente uma amiga que me dê um norte de como enfrentar o mal que ora está longe de me atormentar. A preocupação nesses casos, e deveras comum, é com enfermidades que afligem seres dessa faixa etária. Daí uma dose de cuidado para não contrair icterícia, bexiga, papeira (ou caxumba) e sarampo. Devo, ainda, procurar um posto que me vacine contra a pólio. O teste do pesinho só saberei em contato com a pediatra amiga que no face trato apenas como Sra. Elieth. Ela que se “desmanchou” de contentamento no Sarau FIC, em Nosso Lar, domingo último. Lá pra bandas da “doutorice” a tratarei como Dra. Elieth De Lacerda Alves.
Para que minha pediatra tenha certeza do que me acomete, iniciarei a consulta informando tudo aquilo que me faz crer no acometimento da síndrome pueril. Que isso fique cá entre nós, caro leitor/cara leitora, para que não paire no ar certa desconfiança de quantas andam meu estado de senilidade crônica. O fato é que me sinto tão criança, mas tão criança que tenho medo de ficar sem companhia só em pensar na kuka; sair à rua e me deparar com o papafigo; sair à noite e ter a visão da mula-sem-cabeça; ir ao quintal e dar de cara com cumade fulozinha.
Ao contrário do que muitos pensam, essa realidade me assusta. Agora mesmo me vem à mente o que terei de enfrentar, lá adiante, em minha fase escolar. Nessa florescência estarei preparado, certamente: Que venha o bullying!